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Padroeira

Raínha Santa Isabel

Padroeira do Serviço de Administração Militar e da Companhia Logística Nº 6


No ano de 1270, nascia, em Aragão, a "Rainha Santa Isabel" filha dos reis de Aragão e esposa do rei D. Dinis.
O seu casamento foi recomendado ao rei de Aragão por Filipe III de França, numa altura em que se tentava apaziguar os conflitos entre os reinos de França e da Península Hispânica.
Ao lado do seu marido se fez senhora, e se lhe nasceram os filhos: D. Constança, depois rainha de Castela, e D. Afonso, depois rei de Portugal.
Isabel de Aragão, tanto foi crescendo nas práticas de devoção e das misericórdias cristãs que o povo lhe passou a chamar "Rainha Santa".
Enquanto D. Dinis consolidava o reino, D. Isabel ocupava o seu tempo consolando desgraças e dores com a caridade da sua esmola.
Ergueu o mosteiro de Santa Clara de Coimbra para nele servirem as donzelas piedosas que por um ou outro motivo não casavam.
Fundou, em Santarém, o Hospital dos Inocentes enjeitados das mães por sua vergonha ou pobreza, sustentava albergarias, hospitais para velhos e doentes, tratava por suas mãos os lázaros, matava a fome a quantos lhe pediam; e, pronta, levava ao meio das discórdias a paz de Cristo.
Foi filha espiritual de S. Francisco, foi luz no meio das trevas, mansidão através das guerras e ódios, suavidade num século de áspera e rude braveza, foi um perfeito símbolo de paz.
A morte esperou-a, em Estremoz, no dia 4 de Julho do ano de 1336.
Foi canonizada em 25 de Maio de 1625 pelo Papa Urbano VIII.


O MILAGRE DAS ROSAS

A rainha viveu na doação total de si mesma e de todas as suas coisas. Os seus mordomos tinham ordem par nunca dizer não aos pobres que lhes pedissem. Quando ela saía do paço era inumerável afluência dos pobres que a seguiam.
Um dia, levava a Rainha Santa entre as pregas do manto, uma boa quantia de moedas de prata, para socorrer vários necessitados. Nisto, foi surpreendida pelo rei seu marido.
- Que levais aí, Senhora ?
Receosa que D. Dinis se desgostasse de vê-la tão solícita com os pobres, respondeu-lhe como que inspirada pelo céu:
- Levo rosas, senhor.
Quando abriu o manto, perante o olhar atónito do rei, não se viram moedas mas rosas encarnadas e frescas, como se fossem flores maravilhosas do jardim do céu.
 

MILAGRES DA SANTA ISABEL

Conta-se que, logo após a morte de Santa Isabel começaram a brotar prodígios do seu sepulcro. É impossível enumerá-los todos. Estão cheios deles os livros da sua vida e as crónicas de Santa Clara de Coimbra assim como a tradição oral do povo português.
Maria Martins, de Coimbra, foi ao túmulo da rainha Santa pedir-lhe a luz dos olhos. Estando em oração, foi tomada suavemente pelo. Quando acordou, um dos olhos via claramente e, ao voltar para casa, ambos já estavam sãos.
Em Évora, em casa de um mercador muito rico, encontrava-se moribundo um dos criados chamado Lopo Estêvão. Já entrando em agonia, gritavam-lhe os presentes que se encomendasse à Rainha Santa. O enfermo levantou as mãos indicando que assim o fazia. Pouco a pouco foram cessando as angústias da morte e Lopo acabou por melhorar e curar por completo.
Um religioso de Alcobaça foi preso e já levava cinco anos de cárcere. Por muito que implorasse o favor de pessoas principais, começou a invocar a Rainha Santa e, em menos de um mês, saiu livre da prisão.
Estêvão Gonçalves, cavaleiro da ordem de Cristo, tinha num braço uma ferida já ulcerada. Pedindo remédio à bem-aventurada rainha, ficou perfeitamente curado.
No mosteiro de monjas cistercienses de Coimbra, estava uma delas paralítica havia muitos anos. Chamava-se Maria de Azpilcueta e era muito devota da Rainha Santa. Uma noite, ouviu em sonhos que lhe diziam para levantar-se, pois estava sã por intercessão da sua protetora. Acordou e todos os ossos se lhe estremeciam. Mas ergueu-se com fé, viu-se curada e foi imediatamente ao coro onde as religiosas estavam, àquela hora, cantando matinas.
Uma rapariga órfã, que queria entrar num convento, carecia de dote para poder seguir a sua vocação. Tomou por advogada no céu a Rainha Santa Isabel que a tantos jovens dotara na terra. E aconteceu que, um dia, a órfã recebeu de mão anónima uma boa quantia que lhe permitiu professar em Santa Clara da Ribeira.
Muitos outros milagres se sucederam. Poderosa no céu, a santa rainha não cessava de espalhar favores e graças na terra. Só no processo de canonização se registaram seis milagres de pessoas moribundas curadas repentinamente, assim como de cinco paralíticos, dois leprosos e um doente mental. Todos, por intercessão da Santa, tinham ficado livres de males.

Foi assim, de mãos dadas com céu, que a Rainha Santa de Portugal percorreu o caminho desta vida. Embora as preocupações do seu estado - marido, filhos, vassalos, lutas, combates, amor dos pobres - a tivessem, de certo modo, presa a este mundo, o seu espírito, porém vivia permanentemente com os santos da eterna Sião. Mas o seu afecto detinha-se particularmente na Virgem Maria, a doce Mãe que ocupava o primeiro lugar das suas devoções.
Aprendeu a amá-la, ainda em criança, em Saragoça. A ela consagrou a sua vida e todos os empreendimentos, tendo-a sua Mãe por sua Mãe e Rainha.
Nunca, desde pequena até à morte deixou Isabel de lhe rezar o Oficio Menor. Venerando-a em todos os santuários e imagens.
A Sé de Coimbra e a de Santiago de Compostela guardam, como dádiva da santa rainha duas imagens da Santíssima Virgem.
Desgostada pela guerra e outros males públicos do reino, mas animada pelo triunfo do franciscano Duns Scoto na defesa desta verdade na universidade de Paris, decidiu colocar sob o patrocínio da Imaculada todas as povoações de seus estados e Portugal inteiro.
Na véspera das festas dos Apóstolos, jejuava rigorosamente e não se poupava a duas peregrinações a Compostela com o fim de orar junto do sepulcro de S. Tiago Maior. Sentia especial devoção à mártir portuguesa Santa Iria e ao pequenino Dominguito del Val crucificado em Saragoça pelos judeus no ano de 1250.
Converteu em sua fiel imitadora: como se o espírito de uma se transfundira na outra e o mesmo coração pulsasse em ambas. As duas Isabéis reinavam juntas uma no céu e outra na terra.
Por mediação de Isabel cessou a guerra que se arrastava entre D. Dinis e seu irmão D. Afonso. O mesmo aconteceu entre o rei de Castela D. Fernando e D. Jaime de Aragão.
Pela paz, ia meter-se em campos de batalham, empreendia viagens arriscadas, suportava trabalhos sem conta, humilhava-se, sofria e orava...
Os historiadores que falam de Isabel costumavam chamar-lhe "íris da paz". Os vassalos chamavam-lhe de "mãe, amparo e remédio de todos". A Igreja invoca-a como "Mãe da paz e da pátria".
Na época em que Isabel viveu, era difícil a adesão à Igreja. Não faltavam monarcas cristãos e altercados com Roma. No entanto o seu amor dedicação e obediência ao representante de Cristo na terra chegou a fazer desaparecer alguns motivos de discórdia entre Roma e o rei de Portugal, D. Dinis e mostrou-se superior às lutas entre Aragão e o Papa.
Durante a missa cantada a que assistia diariamente, descia da sua tribuna no momento do ofertório e oferecia de joelhos, com grande humildade, cera, pão ou dinheiro, beijando respeitosamente a mão do celebrante.
Outros momentos litúrgicos enchiam a sua vida: o Oficio divino do breviário eclesiástico, seu livro habitual de piedade e centro das suas devoções.
Nas suas esmolas não esquecia os clérigos pobres, assinalando a quinta-feira com ajuda que lhes dispensava. Ela própria fiava e cosia as roupas e paramentos que lhes enviava.
Nunca faltaram, de sua parte, boas somas e tesouros avultados nas fundações de igreja e mosteiros.
Entre outros templos e mosteiros, devem a fundação à Rainha Santa, o mosteiro cisterciense de Almoste, o convento de Santa Clara de Coimbra, o santuário do Espírito Santo em Alenquer.
Nunca o rei lhe negou o dinheiro para estas obras, sendo ele também, por natureza, pródigo nas suas dádivas. Apesar de tudo era um milagre que as suas posses, não grandes em excesso, dessem para muito que fez.
Em realidade, era o amor de Isabel à Igreja e ao culto o que fazia exceder-se a si própria e a ensinava a fazer esses prodígios de desprendimento e generosidade.
 

EPÍLOGO

Um patrono é alguém que, pela sua conduta em vida, pelos feitos que realizou, pela forma abnegada como cumpriu as diversas missões e entrega à causa pública, constitui uma figura cujo nome fica gravado na história e cuja imagem perdura pelos tempos. Seguir o seu exemplo é um desafio sempre honroso, se bem que difícil; é lutar por tudo aquilo em que acreditamos mantendo constantemente uma conduta austera e sóbria, forjada no culto das elevadas qualidades cívicas e militares.
A Rainha Santa Isabel é, sem sombra de dúvida, uma mulher para todos os tempos. A sua memória, devoção e amor guiam-nos cada vez mais alto e são fonte de benefícios.
Santa Isabel, Rainha de Portugal, mostra-se-nos como exemplo eficaz e atraente na prática do bem em cada um dos diferentes estados de vida.
Sofreu resignada, sempre com o coração a transbordar de um amor muito puro pela sua família, pela sua singular benevolência, é modelo de todos os mortais.
Rainha por sangue e por casamento, rainha num estado rico e florescente, rainha numa época de monarquismo fervente e leal estimou mais do que tudo isso o ser cristã, o permanecer sempre como filha submissa à Igreja e ao Papa. Desceu do trono quantas vezes foi preciso para se tomar mãe e até serva dos seus próprios súbditos a quem amava.
Não se fechou nem se entregou aos suaves prazeres da corte nem se rodeou do luxo orgulhoso do poder.
As suas mãos acariciavam todas as chagas. Os seus olhos choravam sobre muitas misérias. O seu coração unia-se a muitos corações dilacerados pela dor...
Sem outros intuitos que o bem dos seus estados sem mais sugestões do que as do seu coração simples e retíssimo, sem diplomacias a não ser a do amor, interveio nos conflitos dos reis, conjurou os males da guerra, uniu entre si os povos cristãos, trabalhou sem descanso pelo reinado da justiça e da paz.
Enfim, a amável Santa Isabel de Portugal foi "bálsamo" derramado sobre todas as feridas do seu tempo. Foi pacificação nas lutas, remanso na paz, luz nas trevas, amparo nos desalentos. Foi ainda modelo de virtudes heróicas, de sentido religioso e autenticidade cristã ... exemplo de rainhas, mãe da sua nação.

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